segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quanto custa o ÁLCOOL/ETANOL.

ATENÇÃO.....

O Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), vinculado a Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (USP/ESALQ), com o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulga o relatório final de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol para acompanhamento da safra 2010/11 na região Centro-Sul. Os levantamentos de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol no Brasil são realizados há quatro safras e possuem a missão de desenvolver uma pesquisa de extensão universitária que possibilite a criação e divulgação de informações de interesse público que apoiem o desenvolvimento das empresas do setor.
Iniciado para analisar a safra 2007/2008, a série de levantamentos teve como objetivo original calcular indicadores regionais de custos de produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol para as grandes regiões sucroenergéticas brasileiras. Com a evolução dos trabalhos, novos objetivos foram adicionados: i) definição de uma metodologia de contabilização de custos comum a todos os participantes da pesquisa; ii) desenvolvimento de indicadores de desempenho de processos técnicos; e, iii) criação de indicadores de preços pagos por uma cesta de insumos de produção agroindustrial do setor sucroenergético brasileiro.
O levantamento possui a imprescindível contribuição de quase uma centena de instituições, entre usinas, associações de fornecedores de cana-de-açúcar, sindicatos, federações, fabricantes de equipamentos, centros de pesquisa, fornecedores de insumos e financiadores que recebem como contrapartida análises técnicas, econômicas e informações comparativas sobre as condições da sua gestão de custos, preços de insumos e processos produtivos. 
Acompanhamento de custos da Safra 2010/2011 do Centro-Sul
O levantamento de custos da safra 2010/2011 definiu os custos planejados no fim de safra por agentes da região Tradicional, delimitada pelos estados de SP, PR, RJ, e Expansão, referente aos estados de GO, MG, MS e oeste de SP. A pesquisa contou com a colaboração de 65 instituições, sendo 55 usinas e 10 associações de fornecedores de cana-de-açúcar, além disso, se contou com o apoio de informações divulgadas ou disponibilizadas por CTC, Orplana, UDOP e UNICA. A amostra da pesquisa foi responsável pela produção e processamento de 116 milhões de toneladas de cana, ou o equivalente a 21% do montante produzido na região Centro-Sul.
A safra 2010/11 quando comparada a safras anteriores foi marcada por custos agrícolas mais elevados, queda na produtividade da lavoura, elevação na qualidade da matéria-prima, aumento de custos industriais, melhora dos coeficientes de perdas e rendimentos de processos industriais e, preços da cana-de-açúcar, açúcar e etanol mais favoráveis aos produtores e processadores. Os preços elevados foram um dos principais responsáveis pela melhora da rentabilidade do setor.
Os resultados da pesquisa destacaram que, em média, os fornecedores de cana-de-açúcar da região de Expansão conseguiram um preço suficiente para cobrir todos seus fatores de produção. Enquanto que os fornecedores da região Tradicional obtiveram preços suficientes para remunerar seus custos com fluxo de caixa e depreciações, mas não conseguiram remunerar seus custos de oportunidade do capital e atingir lucratividade econômica. Já os custos da cana produzida pela própria usina, em ambas as regiões, foram inferiores aos dos fornecedores e aos preços praticados no mercado. De forma geral, houve uma notável melhora na remuneração do setor na safra atual quando comparada às precedentes, fruto, em grande parte, das boas condições do mercado de açúcar e etanol, já que os custos de produção sofreram leve aumento. A Tabela 1 destaca o resumo dos custos totais econômicos da cana na safra 2010/2011, a Tabela 2 apresenta a divisão de custos operacionais por processo de produção agrícola de fornecedores de cana-de-açúcar, enquanto a Figura 1 ilustra o detalhamento dos principais fatores de formação de custos.

Tabela 1 - Resultados de custos de produção de cana-de-açúcar (R$/t) e margem de contribuição na safra 2010/11.
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Agente               Região        Custo operacional     Custo econômico      Margem econômica
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Fornecedor        Expansão              43,30                  49,74                              6,5%
Fornecedor        Tradicional             47,27                 59,58                            -10,2%
Usina                Expansão              40,12                 45,65                             16,1%
Usina                Tradicional            45,69                  51,72                               3,5%
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Fonte: PECEGE (2011)

Tabela 2 - Custos por etapa de produção de cana-de-açúcar (R$/ha) na safra 2010/11 dos fornecedores.
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Etapa de produção                                        Tradicional                           Expansão


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I - Lavoura*                                                       3.229,27                               3.227,43

Formação do canavial                                      3.157,45                                3690,00
Tratos culturais cana-planta                                353,30                                  321,50
Tratos culturais cana-soca                                  828,15                                  873,96
Colheita                                                            1.864,60                               1.736,16
II - Remuneração da terra                                  805,14                                   522,25
III - Custos administrativos                                 497,86                                   209,84
IV - Depreciações total                                       306,30                                   132,44
      Depreciação de máquina                             230,41                                   101,34
V -Remuneração do capital                               301,00                                   207,89
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Custo total                                                       4.909,15                                4.198,52 
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*A etapa e sub-etapas de produção I incluem os custos com depreciação de máquinas destacados na etapa IV
Fonte: PECEGE (2011)


Os resultados econômicos obtidos pela produção de açúcar e etanol não diferiram dos da cana-de-açúcar. Identificou-se que os preços tanto do mercado de etanol quanto do mercado de açúcar foram suficientes para remunerar os custos industriais totais (CT) nas duas regiões estudadas, exceto o etanol hidratado produzido na região Tradicional, o qual somente cobriu uma parcela do custo de oportunidade do capital. Ainda que ambos tenham apresentado bom desempenho, deve ser destacada a melhor performance do mercado açucareiro, o qual, mais uma vez, superou o mercado de etanol. A Tabela 3 apresenta o resumo de resultados dos principais produtos, açúcar VHP e etanol hidratado.




Tabela 3 - Resultados de custos de produção e margem de contribuição de açúcar VHP (R$/t) e etanol hidratado (R$/m3) na safra 2010/11.
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Produto                     Região             Custo operacional          Custo econômico           Margem Econômica
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Açúcar VHP            Expansão                             505,09                               589,10                                 23,9%
Açúcar VHP           Tradicional                            549,27                               631,87                                15,5%
Etanol hidratado    Expansão                            757,63 (R$ 0,75/L)             874,19 (R$ 0,87/L)             1,9%
Etanol hidratado    Tradicional                          803,82(R$ 0,80/L)             916,30 (R$ 0,91/L)            -2,8%
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Fonte: PECEGE (2011)

A manutenção da boa rentabilidade do setor foi causada pela melhora nos preços, combinado ao aumento da produtividade industrial, ocorrido, principalmente, em razão da maior concentração de açúcares na matéria-prima. No entanto, melhorias na eficiência de uso dos fatores de produção agroindustriais não foram identificadas, assim como os preços destes sofreram reajustes seguindo a inflação. Esse diagnóstico ratifica a interpretação, já extraída na última safra, de que o desempenho do setor estudado está fortemente dependente dos preços de mercado de açúcar e etanol. Fica o alerta sobre a necessidade de uma busca contínua de controle dos custos na procura permanente de aprimoramento do sistema de produção garantindo o desenvolvimento econômico sustentável da atividade sucroenergética. A publicação periódica dos custos de produção da cana-de-açúcar, do açúcar e do etanol reforça a seriedade e credibilidade desse trabalho junto a agentes do setor, refletido no aumento do número de participantes. Destaca-se a função desse estudo para difusão de métodos de cálculos de custos que possam servir de referência para identificação, análise e comparação das boas práticas agroindustriais de forma a apontar os fatores determinantes no custo de produção e gerar indicadores que reflitam as melhores práticas de gerenciamento e controle da produção.
Os relatórios completos de resultados dos quatro levantamentos realizados nas safras são de livre acesso ao público e estão disponíveis no site www.pecege.esalq.usp.br. As instituições interessadas em participar ou apoiar os levantamentos podem obter informações em www.pecege.esalq.usp.br/sucroenergetico, email projetos@pecege.esalq.usp.br ou pelo telefone (19) 3375-4250. Todos os participantes da pesquisa contam com acesso exclusivo a um relatório de benchmarking e análises sobre sua empresa. Em abril de 2011, o PECEGE inicia o levantamento de consolidação dos custos de produção do Centro-Sul e Nordeste na safra 2010/11, e mais uma vez espera contar com a contribuição das instituições do setor sucroenergético. 

Fonte: PECEGE: www.pecege.esalq.usp.br
Texto: Caio Albuquerque
Adaptação: João Batista Machado Filho (Machado Filho Assessoria Empresarial)

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