PETROBRÁS faz parceria com GRUPO SÃO MARTINHO.
Associação entre a estatal e o grupo sucroalcooleiro paulista beneficia dois projetos em Goiás.

A Petrobras anunciou em 21/06/2010 - outra grande tacada em biocombustíveis. A estatal acertou as bases para uma associação com o grupo sucroalcooleiro paulista São Martinho que inicialmente beneficiará, sobretudo, dois projetos fora do Estado de São Paulo.

O apoio da Petrobras será direcionado para a conclusão da usina Boa Vista, já em operação em Quirinópolis (GO), e para a construção de um projeto novo ("greenfield") na cidade vizinha, Bom Jesus de Goiás (GO), segundo confirmou uma fonte da estatal. Com mais essa associação, a Petrobras passará a contar com participações em usinas que, no total, reúnem moagem de 30 milhões de toneladas de cana por safra, ainda a metade da capacidade da maior empresa do segmento, a Cosan.

Há pouco mais de um mês, a Petrobras adquiriu, por R$ 1,6 bilhão, uma fatia de 45,7% da Açúcar Guarani, controlada pelo grupo francês Tereos. No caso da São Martinho, o aporte será de menor dimensão.

A parceria com a Petrobras poderá ajudar a São Martinho a acelerar sua expansão. Em meados de abril, o grupo paulista anunciou que a americana Amyris Biotechnologies não iria mais ser sócia de 40% da Usina Boa Vista, o que reduziu o capital disponível para concluir a usina. Neste momento, a unidade goiana tem capacidade para moer 3 milhões de toneladas de cana por safra, mas seu projeto prevê 8 milhões, direcionadas para a produção de etanol. De quebra, a entrada da Petrobras permitirá a construção da unidade de Bom Jesus de Goiás, que deverá ter capacidade semelhante.

No total, as três usinas do grupo São Martinho têm capacidade para moer 14 milhões de toneladas de cana, e a empresa quer dobrar esse volume nos próximos anos. A empresa vem investindo nas unidades já existentes e em projetos de logística, mas, com a nova parceria, poderá antecipar o plano de chegar a 30 milhões de toneladas até 2020.

A entrada da Petrobras Biocombustíveis na São Martinho deve elevar o volume de etanol comprado por meio de contratos da BR Distribuidora em 50 mil m 3/mês, praticamente o mesmo volume adicionado pela entrada na Açúcar Guarani.

O negócio que será confirmado hoje é a terceira incursão da Petrobras em usinas sucroalcooleiras. A primeira foi a compra de participação na mineira Total, em dezembro. A aquisição foi considerada tímida, tendo em vista que a estatal havia conversado com grupos de porte sobre parcerias, inclusive com a Cosan.

E foi um passo ousado da Cosan - a joint venture com a Shell, anunciada em fevereiro - que teria levado a Petrobras a se posicionar mais agressivamente no segmento, em pleno movimento de consolidação e fortalecimento da presença estrangeira. A Petrobras Biocombustível tem plano orçamentário para investir US$ 2,4 bilhões nos próximos cinco anos em projetos de etanol e biodiesel.

A São Martinho ainda não divulgou o balanço do quarto trimestre da safra 2009/10, mas até o terceiro trimestre acumulava moagem de 12,9 milhões de toneladas de cana, aumento de 7,7%. Diferentemente da Guarani, a São Martinho é mais "alcooleira" e destinou no ultimo ciclo 58% do caldo da cana-de-açúcar para a produção de etanol. A companhia registrou lucro líquido de R$ 72,2 milhões nos nove meses da safra 2009/10, ante prejuízo de R$ 105 milhões em igual período do ciclo 2008/09.

O que se percebe é a reestruturação do setor sucroalcooleiro de forma perigosa e maquiada. A centralização das empresas é fato que vem, de forma acentuada, ocorrendo nos últimos 4 anos, e com isso já se perceber ícones produtivos sendo idealizados como também já em destaque. Esses "ícones" são as "monopolizadoras" em ação em busca de suas metas anteriormente traçadas.

Deve-se apreciar com muito cuidado também a entrada de capital estrangeiro que inunda o setor.

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