SETORES COMEÇAM A MOBILIZAR-SE. ANTES TARDE QUE NUNCA.


Fenabrave atribui alta do álcool à omissão do governo e ganância dos usineiros.

O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sergio Reze, disse hoje que o aumento dos preços do álcool combustível é uma consequência da omissão do governo e da ganância da indústria sucroalcooleira. De acordo com ele, a alta no preço do álcool tem sido uma fonte de inflação sobre a qual o governo deveria atuar. "O projeto do álcool foi criado em 1979 e, desde então, o governo nunca criou uma regra que evite os solavancos (de preço) que os consumidores enfrentam até hoje", criticou.

Para Reze, a indústria automobilística e as concessionárias, por outro lado, não contribuem com a inflação. "Nosso setor continua a praticar os mesmos preços do ano passado e, em alguns casos, os preços estão até menores devido aos recentes lançamentos de veículos importados no País, que já chegam com preços menores", disse. "O automóvel não é responsável pelo crescimento da inflação nem mesmo no mercado de usados."

Reze comparou o abastecimento de álcool com o de gasolina. "Você não imagina que vai faltar gasolina nos postos", disse. "Tem que haver um estoque regulador de álcool para atender momentos de crescimento da demanda. Agora parece que o governo acordou e transferiu (a responsabilidade) para a ANP (Agência Nacional do Petróleo). Vamos ver se as coisas vão mudar", afirmou o presidente da Fenabrave.

De acordo com Reze, a indústria sucroalcooleira foi altamente beneficiada e subsidiada pelo governo. "A indústria sucroalcooleira usou os benefícios que sempre teve e não os devolveu. É pura ganância", afirmou. Já o governo, na avaliação dele, foi "omisso" porque o aumento dos preços do álcool acabou por elevar o preço da gasolina, que também tem álcool na sua composição. "Isso é uma fonte de inflação e o governo tem de atuar, até porque é um ótimo negócio, haja vista a entrada de investidores estrangeiros no País interessados na compra de usinas."

No mês de abril, a participação dos veículos flex nas vendas de automóveis e comerciais leves foi de 83,22% ante 84,59% em março e 85,12% em fevereiro. Já os veículos abastecidos com outros combustíveis, entre eles apenas gasolina, tiveram uma participação de 16,78% em abril ante 15,41% em março e 14,88% em fevereiro. De acordo com Reze, a menor participação de veículos flex no total de vendas não pode ser relacionada ao aumento do preço do álcool. Ele explicou que essa redução decorre da maior participação de veículos importados nas vendas do mercado interno. Diferentemente dos veículos fabricados no Brasil, os importados chegam ao País com motores movidos unicamente a gasolina (Agência Estado, 3/5/11)

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