sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sequestro de carbono é maior em galhos de seringueira
 
 
Estudo aponta que a seringueira armazena quantidades maiores de gás carbônico em seus galhos, seguido pelos troncos, raízes e folhas da árvore. Aos 12 anos de idade, a seringueira é capaz de absorver do ambiente, em média, 62,10 toneladas de carbono por hectare plantado.

O estudo “Quantificação do Carbono estocado na parte aérea e raízes de Hevea sp. aos 12 anos de idade, na Zona da Mata”, foi desenvolvido pelos pesquisadores Tarcísio José Gualberto Fernandes, Carlos Pedro Boechat, Laércio Gonçalves Jacovine e Antônio de Pádua Alvarenga e detalhou em números o carbono estocado em cada parte da seringueira.

A seringueira (Hevea brasilienses) é forte candidata em projetos de MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo) e Cers (Certificados de Emissões Reduzidas). O processo que absorve o gás carbônico através da fotossíntese ganha destaque à medida em que se fortalecem as discussões sobre meio ambiente.
 
As análises indicaram que os galhos foram os responsáveis pelo maior índice de acúmulo de gás carbônico na árvore, com 35,9% do total. Os troncos vieram em seguida com 30,1%, seguido pelas raízes (29,9%) e folhas (4,1%). Segundo os pesquisadores, os números se alteram quando analisados a partir do diâmetro com casca das árvores a 1,3 m do solo. Na classe de 12,5 cm de diâmetro, a raiz representa maior percentual (38,8%), seguido pelo tronco (34,8%), galhos (22,8%) e folhas (3,6%). Na classe de 17,5 cm de diâmetro, os galhos contribuíram mais (36,3%), seguidos pelas raízes (31,1%), pelo tronco (27,9%) e folhas (4,7%). Na classe 22,5 com, os galhos formaram o componente que mais contribuiu para o carbono armazenado (41.3%). Diferente da classe 17,5, é seguido pelo tronco (32,6%), pelas raízes (22,9%) e pelas folhas (3,2%), relatam.

De acordo com os pesquisadores, as variações são explicadas pela posição das árvores dentro dos plantios. Arvores menores, segundo eles, normalmente têm um percentual de biomassa alocado para o sistema radicular em detrimento da parte aérea. Os resultados do estudo apontam que em média, nessas condições, um seringal tem a capacidade de armazenar 132,8 kg de carbono por árvore aos 12 anos – ou 62,10 toneladas de carbono por hectare (t.c./ha).

A pesquisa realizada na fazenda experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), na cidade de Oratórios (MG), considerou uma área cultivada de aproximadamente 10 hectares, plantados no espaçamento de 7 x 3 metros. Os clones selecionados para análise foram o FX 3864, FX 2261 e o IAN 873. Para determinar o acúmulo de carbono, os pesquisadores locaram 27 parcelas de 252 metros quadrados, para caracterizar as distribuições diamétricas das árvores.
 
Foram selecionadas seis árvores-amostras que representaram as classes diamétricas de cada clone, com o objetivo de representar as condições reais do seringal, somando 18 árvores-amostras. O método utilizado na pesquisa foi método direto, que considera a derrubada das árvores e pesagem de todos os seus componentes: tronco, galho grosso (diâmetro maior que 3 centímetros), galho fino (diâmetro menor que 3 centímetros), folhas e raízes; para determinar a biomassa.

 Os pesquisadores comparam os números com estudos de sequestro de carbono realizados com eucaliptos no Brasil. De acordo com eles, experiências com eucaliptos plantados no Cerrado de Minas Gerais indicam que a espécie acumula 31,4 t.c./ha, numa rotação de sete anos.

 

 

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